Gabriel e Gilberto Colaço

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TERRITORIAL

MUTE

 

Rua Cecílio de Sousa 20c

1200-100 Lisboa, Portugal

mute@muteart.org

www.muteart.org

917920013

26.05 - 25.06.2016

Inauguração Quinta-feira 26 de Maio, 19h - 22h

Opening Thursday May 26th, 7pm - 10pm

Em Territorial versa-se sobre o confronto e conjugação simultânea de uma duplicidade de geografias circunscritas e temporalidades distintas: a primeira firma-se na realidade da indústria humana e, a segunda, na ação dos elementos, na natureza entendida enquanto potência agindo sobre os objetos da primeira. O conjunto de obras apresentas por Gabriel e Gilberto Colaço parecem referenciar uma relação dinâmica e circular em que o homem constrói sobre a natureza e a natureza age sobre a construção humana.

Nesta relação, ínsulas evidenciam-se, sob o médium da pintura, regradamente pontuadas pelo retratar de um evento trágico que se anuncia por meio da iconografia urbana – cenários fragmentares de destruição e abandono são dados pela estática representação da sucata, dos destroços de automóveis e de uma montanha russa, das ruínas de uma casa ou de um abrigo –, ao qual se contrapõe, em reflexo, a serena permanência dos entes da natureza, uma outra paisagem de certa placidez. Estes alinhamentos aqui apresentados consolidam-se assim através da adjeção de antinomias, da mediação entre um positivo e um negativo nem sempre são estabelecidos por uma distinção hierárquica clara, e, cuja execução expressa a copiosa minucia e destreza técnica de uma linguagem pictórica que toma como seu legado a estética da pop art.

A narrativa desenrola-se em torno destas estruturas e destes objetos pelos quais, em tempos,  traspassaram totalidade das atividades humanas – desde o trabalho ao ócio – encerrando em si a memória de um passado próspero e repleto de vida. Agora, aguardam em eterno abandono a reconquista da natureza – que ela os tome para si, que os deteriore ao ponto da sua total anulação... Frente a Alinhamento 9 e Alinhamento 8 (exemplos como toda e qualquer pintura em Territorial apresentada), o pensamento precipita-se para o imaginário de catástrofe e de pós-catástrofe, para zona de exclusão ou inoperante, onde tudo foi deixado para sucumbir ao sublime declínio que apenas o tempo pode trazer.

Um outro arquipélago formado por pequenas e delicadas construções é ainda proposto por Gabriel e Gilberto: diminutas salas, refúgios e passadiços são constituídos sob o forma do quadrado implicando em si uma fixação espacial tão característica à estruturação e edificação dos espaços humanos. A delimitação de um território quadrangular sintético, que no seu interior restringe uma fração de natureza, abre portas à incerteza de tratar-se da alusão a uma introdução fabricada que se manifesta na concepção de jardim, ou se, por outro lado, trata a pacífica invasão da natureza no espaço humano a que um expectador exterior e distante assiste. A iluminação interior de algumas destas peças, de que Construção 1 é exemplo, remete ainda ao paradoxo de uma presença humana num domicílio alienado. Presencia-se, por conseguinte, a uma singular excursão sobre aparentes contrários, sobre a hibridização de domínios, e ainda à asserção da transversal transitoriedade da indústria humana e do mundo natural.

 

Andreia César, 2016

 

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