To describe Gabriel and Gilberto Colaço’s works immediately implies to talk about a whole activity of invasion because they openly are two players. Each one of them strongly competes for his working space and capacity of adjustment to the space and limits set by the other so that in the end, all such confrontation will result in a good outcome agreed by both of them. Thus, the whole is the result of both artists’ shots.On the other hand, in the close connection between the two twin brothers Gabriel and Gilberto Colaço there is the reconcilement of a vocabulary, classified by a repeated colour of palette, and a very peculiar way of looking to raise the figure to a new dimension. Its fragmentation and distortion emerge as a reinvention. The sections of the figure, that can present citizens, known or close friends, or unusual objects, create also borders of work in which participates Gabriel Colaço or Gilberto Colaço.However, the most important is to witness the complicity and trust that has involved all the work of Gabriel and Gilberto, and the proof that art can result from sharing.

Em Territorial versa-se sobre o confronto e conjugação simultânea de uma duplicidade de geografias circunscritas e temporalidades distintas: a primeira firma-se na realidade da indústria humana e, a segunda, na ação dos elementos, na natureza entendida enquanto potência agindo sobre os objetos da primeira. O conjunto de obras apresentas por Gabriel e Gilberto Colaço parecem referenciar uma relação dinâmica e circular em que o homem constrói sobre a natureza e a natureza age sobre a construção humana.

Nesta relação, ínsulas evidenciam-se, sob o médium da pintura, regradamente pontuadas pelo retratar de um evento trágico que se anuncia por meio da iconografia urbana – cenários fragmentares de destruição e abandono são dados pela estática representação da sucata, dos destroços de automóveis e de uma montanha russa, das ruínas de uma casa ou de um abrigo –, ao qual se contrapõe, em reflexo, a serena permanência dos entes da natureza, uma outra paisagem de certa placidez. Estes alinhamentos aqui apresentados consolidam-se assim através da adjeção de antinomias, da mediação entre um positivo e um negativo nem sempre são estabelecidos por uma distinção hierárquica clara, e, cuja execução expressa a copiosa minucia e destreza técnica de uma linguagem pictórica que toma como seu legado a estética da pop art.

A narrativa desenrola-se em torno destas estruturas e destes objetos pelos quais, em tempos,  traspassaram totalidade das atividades humanas – desde o trabalho ao ócio – encerrando em si a memória de um passado próspero e repleto de vida. Agora, aguardam em eterno abandono a reconquista da natureza – que ela os tome para si, que os deteriore ao ponto da sua total anulação... Frente a Alinhamento 9 e Alinhamento 8 (exemplos como toda e qualquer pintura em Territorial apresentada), o pensamento precipita-se para o imaginário de catástrofe e de pós-catástrofe, para zona de exclusão ou inoperante, onde tudo foi deixado para sucumbir ao sublime declínio que apenas o tempo pode trazer.

Um outro arquipélago formado por pequenas e delicadas construções é ainda proposto por Gabriel e Gilberto: diminutas salas, refúgios e passadiços são constituídos sob o forma do quadrado implicando em si uma fixação espacial tão característica à estruturação e edificação dos espaços humanos. A delimitação de um território quadrangular sintético, que no seu interior restringe uma fração de natureza, abre portas à incerteza de tratar-se da alusão a uma introdução fabricada que se manifesta na concepção de jardim, ou se, por outro lado, trata a pacífica invasão da natureza no espaço humano a que um expectador exterior e distante assiste. A iluminação interior de algumas destas peças, de que Construção 1 é exemplo, remete ainda ao paradoxo de uma presença humana num domicílio alienado. Presencia-se, por conseguinte, a uma singular excursão sobre aparentes contrários, sobre a hibridização de domínios, e ainda à asserção da transversal transitoriedade da indústria humana e do mundo natural.

 

Andreia César, 2016

 

To describe Gabriel and Gilberto Colaço’s works immediately implies to talk about a whole activity o invasion because they openly are two players. Each one of them strongly competes for his working space and capacity of adjustment to the space and limits set by the other so that in the end, all such confrontation will result in a good outcome agreed by both of them. Thus, the whole is the result of both artists’ shots.On the other hand, in the close connection between the two twin brothers Gabriel and Gilberto Colaço there is the reconcilement of a vocabulary, classified by a repeated colour of palette, and a very peculiar way of looking to raise the figure to a new dimension. Its fragmentation and distortion emerge as a reinvention. The sections of the figure, that can present citizens, known or close friends, or unusual objects, create also borders of work in which participates Gabriel Colaço or Gilberto Colaço.However, the most important is to witness the complicity and trust that has involved all the work of Gabriel and Gilberto, and the proof that art can result from sharing.

 

Catarina Lira Pereira, 2007

The dialectics of salvation

 

              It is necessary that the reader of these lines can bear in his/her memory or within sight the paintings that the young artists Gabriel and Giberto Colaço offer as an example of their depurated plastic research. It is one more step on the path of painting that confirms the rare talent of these creators. Being the result of a common continuous flow, the paintings speak for themselves. in what way? Let us see.

 

              Delightful drawing strokes and lines and interwoven chromatic amorphous meet projected in space by means of a determined geometry. Each painting marks an expectant (im) mobility of elements that, in a set of several pieces, cherish a creative attempt of retrospective character. We constantly come across the need to communicate with former experiences and feel the urgency to retrieve plastic and graphical images already consecrated in a previous register. The quasi-saved forms of a past practice always emerge reinvented in another environment.

 

              In this dialectics of salvation the artistic discourse goes beyond the semblance of two-dimensionality of the paintings through a rhythmical game agreed between the plastic expression of painting and the graphical expression of drawing. This game survives in the universe of each painting, in a constant mechanism of supremacies where drawing and colour dispute the central voice.

 

              Each painting is a discursive body in continual transformation that works as the paradigm of a dynamic or static existence. This "body", while atomic or fragmented appearance dematerialised and depurated from any identifying reference, reveals itself to the viewer as an entity that from the subject´s indetermination makes its only possible from of existence.

 

              It is no doubt an aesthetic route that manages to take the viewer beyond the limits of sublime. And if the authors delighted themselves with the ecstatic proceeding of paintbrushes, it is up to us to be fascinated by the power of seduction that only true artwork is capable of disclosing. To bet on Gabriel e Gilberto Colaço´s work means not only to understand the quality of their artistic maturity, but also to be sure that we are before an event that will mark a generation of artists in Portugal.

 

Golgona Anghel, 2005

 

Articles

"Disassemble, de Gilberto e Gabriel Colaço"

Maria João Marques, CapitalMag, 16 de Setembro de 2018

"Variations portugaises"

centre-art-contemporain-meymac, 18 Mrach 2018

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